Número de mulheres premiadas no Prêmio Jabuti, na área da literatura, cresceu 10,5% nos últimos 5 anos

Analisando os últimos anos do Prêmio Jabuti, pode-se perceber um movimento positivo: há um aumento percentual do número de mulheres premiadas na área da literatura, do ano de 2018 em relação ao ano de 2014. O Prêmio é o mais tradicional do país e costumava englobar diversas áreas, como Direito, Engenharia e Arquitetura, além de Literatura. No ano passado, a premiação sofreu mudanças e passou a atuar em quatro eixos principais: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Para realizar a análise dos dados aqui expostos, foram consideradas apenas as áreas de premiação relacionadas à literatura, tanto antes quanto depois das mudanças nas categorias premiadas.

Os números, de 2014 até 2017, variaram entre 12 e 13 premiados homens e 6 a 9 mulheres. Ano passado, com a mudança de formato, foram 6 mulheres e 8 homens, aproximando um pouco a diferença anterior. Esse processo que vem ocorrendo pode ser explicado por uma série de fatores, mas é possível que esteja associado à um maior interesse sobre feminismo e à conquista maior das mulheres no mercado de trabalho. Na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2016, a poeta Ana Cristina Cesar foi homenageada, a segunda mulher laureada da festa, que surgiu em 2003. Na época, houve uma crítica por parte do jornalista Felipe Fortuna, da Folha de S. Paulo, que considerou sua obra insuficiente e escassa para ser homenageada no evento. Por outro lado, a professora de teatro Laura Erber o refutou, argumentando que a festa atendia aos interesses mercadológicos e tinha o objetivo de repaginar uma autora que possui uma escrita intensa e concisa. Depois, em 2018, a consagrada do evento foi Hilda Hilst. Tudo isso prova uma certa mudança na valorização das escritoras brasileiras, tanto as mais antigas e estabelecidas, quanto as mais novas, ainda que com críticas e resistência.

Esse tipo de mudança está sendo bem proporcionada por projetos que incentivam a leitura de mulheres no país, como por exemplo o Leia Mulheres, com clubes de leitura, dicas e convites interessantes. Ele também faz publicações em periódicos e revistas, contando sobre a proposta e relatando as estreias dele em cada lugar do Brasil. Além disso, esse tipo de projeto também disponibiliza livros em pdf, ajudando a disseminar esses títulos para um maior número de pessoas e muitas vezes despertando maior curiosidade diante dessas obras. É interessante perceber que essa iniciativa provoca uma mobilização não só das obras, mas que ajuda a reunir potenciais escritoras e encorajá-las a publicar seus trabalhos.

Apesar disso, muitos ainda questionam, como o fez Ricardo Ballarine, do portal Capítulo Dois, se referindo ao prêmio Bravo! 2016 de Melhor Livro, a presença majoritária de homens nesse tipo de premiação. Ricardo questionou como foram escolhidos três autores homens para serem finalistas, quando, na sua opinião, 2016 foi um ano de destaque no que diz respeito ao trabalho de mulheres na literatura, com destaque para a escritora Elvira Vigna. Nesse sentido, embora haja sim o que se comemorar com o crescimento do prestígio das mulheres no meio literário, ainda há também muito para caminhar, considerando que 2016 não está tão longe assim e que é preciso tempo para consolidar uma nova postura. É importante, entretanto, reconhecer que estamos num processo contínuo e de onde se conseguem extrair ganhos, avanços e valorizações.

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